
Consegui. Esta foi a primeira palavra que falei quando o avião pousou em Milão.
Tenho “paúra”, medo mesmo, ou até pânico de voar. Fiz de tudo para desistir, mas graças à Deus e a todos os meus amores, família e amigos, consegui vencer o medo e lá fui eu.
Quando dei por mim já estava à espera de embarcar. Tremia, suava, mas uma alegria imensa me envolvia. Imaginem: poder ver, provar e admirar tudo que sempre sonhei; cultura, gastronomia, vinhos deliciosos, sabores, aromas, socorrroooooo!
A primeira coisa que fiz foi sentir o ar. Acho que toda terra tem seu cheiro, seu perfume. Tudo tão fresco, pleno outono, céu azul, ar fresco, até um pouco frio de manhã e quentinho durante o dia, típico da estação de outono. Perfeito. Pisei com carinho na terra e pedi a Deus que nos abençoasse naquele momento.
A caminho do Hotel fiquei observando tudo, não deixava nada para atrás. Milão é uma cidade grande, cheia de indústrias, forte comércio e referência na moda. Aliás, estávamos em plena semana da moda (fashion week). Era modelo pra todo lado, pura vitrine. A arquitetura é riquíssima, prédios antiqüíssimos, cheios de arabescos, esculturas, e sempre que podem colocam flores em vasinhos. Lindo! As ruas são largas e com carros bacanas para todos os lados, e claro, os bondinhos também. O asfalto é cheio de trilhos e eles passam a toda hora, uma graça.
Assim que chegamos ao hotel, deixamos nossas bagagens, nos refizemos e saímos rumo a Piazza del Duomo. Passamos por vias largas e elegantes, nossa como Milão é elegante! Lojas lindas! E que susto passamos em frente ao Teatro Scala de Milão, onde Verdi se consagrou e Maria Callas fez carreira. Em frente a Piazza Leonardo da Vinci, já comecei a ficar emocionada, pois tudo é história, um museu a céu aberto, como diria uma amiga minha. De repente nos deparamos com a suntuosa Piazza del Duomo, com seu maravilhoso Duomo de Milão ao centro, e ao lado a Galleria Vittório Emanuelle II. Nós como todos os turistas, ali ficamos parados, admirando, perplexos com tanto tamanho e beleza, uma Catedral toda em mármore, gótica, com 3800 estátuas e na maior torre uma Nossa Senhora em ouro. Deslumbrante, enorme, dizem que levou 500 anos para ficar pronta. Me senti tão pequena diante de tanto tamanho, e ao mesmo tempo tão grande por estar ali naquele momento. Assim que entramos, agradecemos a Deus por estar ali, e acendi uma vela. Uma não, duas! Uma para nós, e outra para nossos filhos que ficaram em casa.
Saindo da Duomo, fomos visitar a Galleria Vittorio Emanuelle II. Dizem que ali nasceu o conceito de shopping center. Grandiosa, linda, cheia de vitrais, arabescos, teto de vidro, afrescos, belíssima com suas lojas lotadas de turistas alegres.
Entramos num café imponente, o Café Savini. Ele é uma verdadeira grife, uma loja de doces delicados e finos, franceses, que existe desde 1867! Decorada ricamente, com lustres de cristais, vitrines de encher os olhos com seus docinhos delicados, tortas, bombons, chocolates em caixas de veludo e muitas mesinhas com toalhas adamascadas douradas, chiquérrimo! Tomamos um capuccino cremoso, com desenho no creme, coisa de um bom barista
Ah! Milão já tinha me conquistado. Como sou apaixonada por cozinha e uma amiga havia me recomendado para visitar a Peck (loja de gastronomia, referência em Milão), fomos. Mas como estava fechada, passamos em frente a uma bela padaria, contemporânea e politicamente correta, Padaria Princi, onde os pães são feitos com farinha biológica, trabalhados na pedra, com fermentação natural e assados em forno à lenha. Além dessas delícias, eles têm focaccias divinas e pizzas em pedaços de sabores delicados e crocantes. Adorei a de abobrinha e tomates com ervas frescas. Já fizemos uma “boquinha”. Depois fomos passear livremente por Milão, flanando, curtindo o resto de domingo.
Fomos parar no bairro Brera, super descolado, é o Vila Madalena deles, cheio de artistas e lojas transadas. Adorei um mercado biológico orgânico, onde os produtos têm certificados, ecologicamente corretos. Lá me abasteci de coisinhas gostosas de cozinha, zafferano, fava de baunilha, etc.
Depois fomos tentar visitar a Pinacoteca. Queria ver quadros de Caravaggio e Rafael, mas já estava fechada. Como já era tarde e tínhamos uma reserva no gostoso Restaurante Nabuco, relaxamos numa mesinha de calçada celebrando com um vinho elegante (Brunello de Montalcino – uma safra legal) e comemos feito italianos – antipasti – primi piatti – secondi piatti, stop! Sobremesa não!
De antipasti uma deliciosa flor de abobrinha, recheada com ricota e ervas, salteada e acompanhada de pesto e salada de tomate cereja. Em seguida comemos um delicado gnocchi di patate com salsa pomodoro básilico. E para finalizar, um belo risotto milanês, claro. Nossa! Me senti uma “MAMA” italiana, super nutrida! Uma observação: a comida é muito delicada, com tempero sutil e muito aromática. Deliciosa.
Uma pena não conseguirmos ver a Última Ceia, de Leonardo da Vinci. Mesmo tentando reservar o ingresso por São Paulo com alguns dias de antecedência, não foi possível. Ela fica no convento Santa Maria Delle Grazie, e a visitação só acontece com hora marcada, e para poucas pessoas por vez.
Depois de encontrarmos nossos amigos queridos, seguimos viagem para Bergamo.
Meu marido estava completamente emocionado, pois iríamos almoçar em um relais chamado Da Vittorio (40 anos de existência), na cidade de Bergamo (meu sogro se chamava Vitório Bergamo).
Imaginem uma construção elegante no meio de um jardim belíssimo, com uma gastronomia duas estrelas do guia Michellin. O salão do restaurante é muito refinado, e o serviço é perfeito. Fomos recebidos com um champagne delicioso e delicadezas do chef: mini misto de queijo fontina, pirulito de tuille de parmeggiano, cone de balsâmico e queijo fundido com gergelim.
Em seguida fomos levados ao salão onde pudemos degustar as delicias do chef e sua brigada. Foi-nos servido logo de entrada, recomendado pelo maitre, tagliatelle com tartuffo bianco (acabara de chegar um lote de Alba-Piemonte), Massa al dente com um molho delicado de queijo fontina e lascas de tartuffo. O perfume deste prato é maravilhoso!
A partir daí uma seleção de pratos: polenta com mini linguiças e peposo (Bochecha de boi, cozida lentamente em caldo, vinho tinto, especiarias e ervas aromáticas), polenta com sete tipos de cogumelos (imaginem uma bela travessa redonda e grande, com uma polenta cremosa ao centro, e ao redor vários tipos cogumelos: grelhados, com legumes , com molhos, à milanesa, fritos, salteados, etc). Ia me esquecendo de todos os pães e grissines, que além de quentinhos eram envolvidos em farinha de milho. Por que tanta Polenta? Ora, Bergamo é a terra da Polenta!!!!!
Bergamo é uma cidade medieval, linda, que fica no alto de uma colina. Tem uma vista deslumbrante, tudo nela é gracioso: o comércio, a culinária sempre voltada para a polenta, a igreja deslumbrante, o sino que toca... saímos dali com gosto de quero mais, voltaremos com certeza.
Seguimos viagem para Veneza. Eu estava muito radiante, já pensou? Chegar em Veneza no cair da tarde? Tivemos muita sorte, pois o sol sempre nos acompanhou nesta viagem.
Depois de poucas horas, chegamos a Modiglliano Veneto, um pequeno vilarejo próximo à Veneza. Ficamos hospedados em uma Villa Italiana, um belo palacete, todo rosado com janelões verdes, e muitas flores, no meio de um jardim. É uma propriedade que a família gerencia. Pai, filho (chef de cozinha) e mãe tocam o negócio. A decoração do hotel é toda renascentista, com lustres de cristal e porcelana trabalhada, lindo. Estranhamos um pouco os quartos, mas logo nos adaptamos. De manhã vinha um aroma divino de pão assado e café nos acordar, e claro que logo eu pulava da cama.
Chegando à Veneza, achei tudo muito lindo. Me irritou um pouco o número de turistas, é impressionante. Mas as construções de Palladio (arquiteto dos Palácios Venezianos), a Piazza São Marco, a Basílica, com toda sua riqueza em mosaicos de ouro e arquitetura bizantina. Atrás do altar é possível visualizar o Pala d’Ouro (altar gótico em ouro com mais de duas mil pedras preciosas), a Galleria Dell’Academia, onde podemos admirar toda arte veneziana no seu apogeu, obras de Tintoretto, Tiepolo, Carpaccio, Palácio Ducale, onde os governantes dirigiam a poderosa cidade, com todo o seu luxo. Por tudo isto vale muito a visita, com toda a paciência de um bom turista.
Depois de tanta beleza vista, resolvemos passear soltos pelas ruelas de Veneza e fomos parar no Harry’s bar. Era o meu sonho entrar neste bar e tomar um Bellini (drink de champagne e pêssego), e quem sabe, saborear um Carpaccio, assim como E.Hemmingway. Este bar ficou muito famoso nas décadas de 50 e 60, freqüentado por artistas de cinema e escritores famosos da época. O Carpaccio, hoje tão comum nas nossas cozinhas nasceu lá, você sabia? Um dia o garçom Cipriani ofereceu uma criação sua a um dos seus clientes famosos. O prato que ele criou era: fatias não muito finas de carne vermelhinha e crua com um molho todo desenhado por cima, que ele chamou de Carpaccio, em homenagem ao grande pintor. Foi assim que nasceu essa entrada tão conhecida por todos nós.
Me senti a tal quando sentamos à mesa e pedimos Bellinis e Carpaccios, neste lugar tão especial e com uma vista deslumbrante para o grande canal, com suas gôndolas.
Agora vem: você sabia que o Carpaccio do Harry’s é o mais caro do mundo? Sabe quanto nós pagamos por cada porção? Sessenta e três Euros!
Calma, você ainda está aí?
Depois de tal “facada”, saímos em busca de novas experiências menos alucinantes, mais generosas com nossos bolsos.
Em cada rua que entrávamos era uma nova surpresa. Nossa, como é fácil se perder em Veneza. E assim nossa tarde foi passando, admirando os cristais de Murano, as lindas máscaras, pessoas e mais pessoas, entravamos e saíamos das lojinhas. Não resisti e comprei um pacotinho de Grana Padano em quadradinhos, para beliscarmos em quanto passeávamos.
Já à noite, cansados de andar e loucos para tomar o bom vinho, fomos procurar o tal restaurante que Flávia, minha amiga, foi uma vez e adorou. Procura daqui, procura dali e nada. Acabamos encontrando um muito gostoso, e chegamos na hora certa. Lá pude comer um delicioso Papardelle ao Pesto, e tomar o vinho tão aclamado.
Veneza é mais especial à noite, quando a imensidão de turistas sai de cena, os gondoleiros vão descansar, e os venezianos vão passear. Romântica e linda. A Toscana nos esperava, tínhamos que partir.
Lá fomos nós, rumo à Florença, mas primeiro à Bologna.
Nossa como Bologna é linda, toda colorida, em tons de Terracota, com suas venezianas em tons pastel, azul hortência, amarelo, creme, verde, etc.
É uma cidade universitária. Bárbara. Dizem que o curso de economia é super famoso. Visitamos a Biblioteca, lindíssima, super rica em arquitetura. Visitamos até uma exposição que estava acontecendo. As grandes calçadas de Bologna são
cobertas e toda arcada, onde ao longe tem-se uma bela visão. A grande piazza é vistosa e cheia de jovens estudantes. Ficamos até pensando por quê nossas praças não são tão bem freqüentadas assim.
Achamos um restaurante que Flávia havia indicado. Super charmoso, com mesinhas na calçada, onde servem uma lasagna bolognesa de “babar”, além da famosa mortadela de Bologna, rosadinha, saborosa e de fácil digestão, só falta um pãozinho.
Seguimos viagem para Florença. Lá ficamos hospedados bem perto da Piazza Della Signoria. Fizemos todo nosso riquíssimo roteiro cultural a pé, que delícia. Impressionante e imperdível a Galleria Degli Uffizi, maior espaço de arte gótica e renascentista da Itália. Lá pudemos admirar o Nascimento de Vênus, de Boticelli, a Adoração dos Magos, de Leonardo da Vinci, e a Sagrada Família, de Michelangelo, entre outras riquezas.
Visitamos a Galleria Dell’Academia, com esculturas famosas de Michelangelo, onde a estátua original de Davi se encontra, impressionante como é perfeita, que mão. A Duomo Santa Maria del Fiore, é fantástica, a quarta maior do mundo, com sua cúpula alaranjada.
Silvio, meu marido e nossos amigos subiram quatrocentos degraus, até a torre para visualizar toda a cidade. Eu esperei lá embaixo mesmo.
Se eu for realmente passar para o papel todo o meu contentamento e impressões sobre Florença, não sairemos mais daqui. Ela é deslumbrante, com o Rio Arno cortando-a ao meio, a ponte Vecchio, linda ao longe e poderosa com suas joalherias. Quando visitar Florença não deixe de ir a Piazza Michelangelo, de lá se tem a vista mais linda de toda a cidade.
Saímos de lá muito emocionados. Tudo é muito rico. A história se faz presente a todo instante. Dei graças à Deus por terem existidos: Michelangelo, Da Vinci, e todos os outros maravilhosos. Eles fizeram um bem à humanidade. Já pensou quantas pessoas eles inspiraram e influenciam até hoje?
Florença é a Capital da Toscana. Já se percebe uma diferença no ar, parece que tudo é meio alaranjado, dourado. Sei lá, mas será a influência dos girassóis?
Partimos para Siena. Chegando lá tínhamos um propósito além de claro, admirar arquitetura medieval e a arte sempre explicita. Tomar um “big” sorvete, considerado o melhor da Itália ou quem sabe saborear um Panforte (doce de frutas cristalizadas e amêndoas). Fomos nos encaminhando para a Piazza del Campo, onde em Julho ocorre a mais antiga corrida de cavalos do mundo (famoso festival Pálio). Como é enorme e circular!
Lá também existem restaurantes com suas mesinhas para fora, com artistas se apresentando, pura alegria. Saboreamos uma bela pasta com Pecorino, e tomamos um Chianti, divino! Saímos em direção ao “famoso” gellato, mas gelado mesmo estava o vento.
Não deixamos de visitar a espetacular Duomo de Siena, para mim a mais linda da Itália, parece um belo tapete. O piso é todo com cenas bíblicas em mármore, ficamos em dúvida se era feito com pirógrafo, sei lá, impressionante a beleza, e os painéis de Pisano. Ah, Siena!
Seguimos para San Gimignano, onde ficamos hospedados em uma Agriturismo.
É muito legal. Uma fazenda produtora de vinho e azeite, e o dono, um senhor super ”fofo”, arquiteto por formação e cozinheiro por opção, um apaixonado pelo que faz, além de um grande realizador de festas de casamentos na região. Segundo ele, está no ramo há trinta anos! Nossa quanta festa!
Todas as cidadezinhas são muito próximas na Toscana. Ficamos hospedados em San Gimignano e visitamos algumas delas. Panzano é quase uma vila, linda, muito florida. Chegamos num domingo de manhã, em plena festa do vinho. Na praça principal, os produtores estavam fazendo uma exibição de seus vinhos. Nós compramos as taças e ficamos bebericando. Mas tínhamos um plano: estava com muita vontade de conhecer o açougue de Dario Cecchini, o Rei da Bisteca Fiorentina!
Seu estabelecimento de domingo é uma festa. Ele nos recebe super alegre, cantando, coloca ópera para tocar a todo vapor, e nos oferece vinho Chianti além de gostosuras feitas de carne e molhinhos especiais. Fica lotado de turistas de todo o mundo. Ele é super conhecido. A primeira vez que ouvi falar dele foi no livro de Jamie Oliver, logo depois Claude Troigros e Renato Machado (Menu Confiance) fizeram uma matéria sobre ele. Quando falei deles para Dário e disse que era brasileira, ele fez uma festa e logo colocou o programa que foi gravado no açougue para rodar, para nos agradar!
Claro que almoçamos em sua super sala de almoço. Dividimos uma enorme mesa com pessoas de vários lugares e nosso almoço só durou quatro horas.
Foi uma delicia! Apenas achamos a bisteca, que por sinal é enorme e alta, um tanto mal passada. E o medão de pedir pra passar mais? Sei lá, de repente poderia até ofender. Silvio e Tuís ganharam os ossos! Nossa, todos na mesa ficaram com inveja e eu e a Flavia rimos pra valer!
Como a Toscana é bela! Ficamos imaginando ela com todos os girassóis em flor, deve ser mais deslumbrante ainda. Os girassóis abrem na primavera. As estradas são lindas. Passam por campos esverdeados e ao longe a gente sempre visualiza uma propriedade com enorme casa, em pedra ou em tons de amarelo-laranja desbotado com muitos ciprestes e flores ao redor. Quero voltar.
As oliveiras são frondosas, com um tom de verde só delas, e suas redes encolhidas, para na época certa serem abertas e receberem as azeitonas. Quanto menos mexerem nelas, melhor. Menos acidez. Tudo é azeite e vinho. Muitos produtores, fazendas, famílias trabalhando unidas neste negócio que o mundo inteiro respeita.
Visitamos ainda Montalcino, mas claro, depois de saborear tanto Brunello. Tínhamos que visitar onde tudo acontece ao redor deste elegante vinho.
Chegamos tarde, 14h45. Na Itália os restaurantes funcionam para o almoço até as 15h00. Já encontramos os lugares fechando, e a fome era absurda. Então cada um saiu para um lado em busca de alternativa para o almoço. Conseguimos através do meu compadre uma bela enoteca, onde almoçamos com calma, tomamos um delicioso vinho, e fizemos umas comprinhas.
Você acredita que lá eu encontrei vinhos com o nome da propriedade produtora Bramasole? Lembra do filme Sob o Sol da Toscana? Pois é, aquela história é verídica, eu já sabia. As cidades da Toscana se parecem muito, são cidades medievais, rodeadas por oliveiras e plantações de uva Sangiovese, até provamos uma. É bem pequena e docinha, porem sua cor é forte e mancha a mão da gente.
Seguimos viagem até Roma. Lá visitamos as ruínas (impressionante!), igrejas e monumentos. Piazza Navona com nossa Embaixada, que luxo hein! Fiquei até com vontade de almoçar lá. Pena que a Fontana dei Quatro Fiumi (Bernini), estava sendo restaurada. Aliás, tudo na Itália parece que esta passando por restauração. Como eles cuidam. Também, considero tudo que vi patrimônio da humanidade. Pudemos admirar entre os tapumes, e também volto pra lá um dia.
Fontana de Trevi, que é linda, faz lembrar de La Dolce Vita. Claro que joguei minha moedinha atrás do ombro. Quero voltar também.
O Pantheon, tão suntuoso, chegamos quando estava acontecendo uma apresentação de um coral. Acho que eram ingleses. Já pensou ficar ali olhando e ouvindo belas músicas?
Nos juntamos a todos os turistas para não fazer nada, e nos sentamos na Piazza di Spagna. Passeamos pela Via Condotti, um luxo. Claro que visitamos o Vaticano. Meu Deus, que imensidão, que poder! Em Roma saboreei corajosamente um Penne a l’Arrabbiata. Que significa, uma pasta, penne que você conhece, com um salsa pomodoro e MUITA pimenta malagueta seca. Uau! De repente, tudo ficou uma brasa!
Seguimos viagem para a Costa Amalfitana, longinho. Rumo à Nápoles, passamos por Pompéia, visualizamos o Vesúvio ao longe. Chegamos à Sorrento, e ficamos num hotel de frente para o Mediterrâneo. Lindo!
Pedimos uma dica ao gerente do hotel onde poderíamos jantar elegantemente, e ficou combinado que um motorista viria nos buscar. No caminho, ficamos um pouquinho assustados, pois a estrada era sinuosa e escura e nunca chegava. De repente, encontramos a placa Relais Blue, uma construção mediterrânea branca, contemporânea, muito elegante. A decoração era um luxo, cheio de lounges brancos com almofadas azuis, tudo muito chique e moderno. Um belo terraço debruçado para o Mediterrâneo, simplesmente mais do que lindo!
Sentamos à mesa. O serviço era impecável. Olhe que o chef é só uma promessa de uma estrela do guia Michellin. Esse guia...
Foi-nos servido um requintado e moderno jantar, uma cozinha de autor. Com reduções, molhos impecáveis, pratos bem elaborados, peixes com suas texturas preservadas, pura delícia! Logo o chef veio ao nosso encontro, um belo alemão, muito simpático, apaixonado pelo Brasil.
No dia seguinte fomos para Capri, que chique! Pegamos uma Ferry e atravessamos o mediterrâneo por vinte minutos. Foi tranqüilo. Também cheia de turistas, porém deliciosa, me senti num filme charmoso da década de 50 e 60.
Eu tinha alguns endereços na manga, dicas de uma amiga viajante. A imperdível perfumaria Carthuzia, restaurantes charmosos e bacanas. Em Anacapri a Igreja barroca San Michelle, com sua planta octogonal. Ficamos mesmo só em Capri, e mesmo assim aproveitamos bastante. Fomos à tal perfumaria, e almoçamos num charmoso restaurante chamado IL Geranio, praticamente no meio de um jardim, um terraço voltado para um Belvedere (vista linda!), passamos uma tarde divertida e recebendo delicadezas dos garçons, até uma flor para cada dama!
Lá saboreamos belos peixes dos seus mares. Um com crosta de sal, e outro cozido em vinho branco, tenros, delicados e perfumados com limão siciliano e azeite. Aliás, os limões são enormes, cheirosos, e sempre estão em tudo da culinária à cerâmica, passando pelos perfumes, decoração.
Visitamos também Positano, onde passamos por toda a estrada sinuosa da costa amalfitana até Amalfi, lindíssima, com rochas que acabam no mar de um azul Royal.
Voltamos para Milão, pois nossas férias estavam acabando e nossos filhos estavam nos esperando no Brasil.
Quando você liga para casa, e começa um tal de: “mãe, fulano disse que eu...”, é porque está na hora de voltar! Valeu!
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